“Non possumus…” e a Promessa divina da infalibilidade do Sucessor de Pedro

“…Quem não tem um conceito exato, uma percepção viva da infinita, absoluta e inefável majestade de Deus, na inviolabilidade soberana dos seus direitos, não pode entender a intransigência dogmática da Igreja Católica. A Igreja não é autora de um sistema humano, filosófico ou religioso, é depositária autêntica de uma revelação divina. Cristo ensinou-nos uma doutrina celeste: “A doutrina que eu vos ensinei é d’Aquele que me enviou.” (S. João, VII, 16; XII, 49).

Aos seus discípulos ordenou que a transmitissem a todo o gênero humano na sua integridade incorruptível. “Ensinai-lhes a observar tudo o que vos mandei”.(Mat. 25, 20). E para que a falibilidade humana não alterasse o depósito divino, prometeu-lhes a eficácia preservadora de sua assistência. “Estarei convosco até o fim dos séculos.”

A Igreja Católica tem, pois, promessa divina de imortalidade e infalibilidade. Não foi, não será nunca infiel à sublimidade da sua missão. Quando a sinagoga, alarmada com os prodígios que sancionavam o cristianismo nascente, prendeu os apóstolos e lhes impôs um silêncio criminoso, Pedro respondeu aos sinedritas um sublime non possumus. No volver dos séculos nunca desmentiu a Igreja as promessas deste seu batismo de sinceridade. Todas as vezes que o erro, armado como a força, mascarado como o sofisma ou sub dolo como a política, bateu às portas do Vaticano, pedindo ou impondo-lhe uma concessão, uma aliança, um compromisso, saiu-lhe ao encontro um ancião inerme e venerável na candura simbólica de suas vestes, e, com voz firme e olhar fito no céu, respondeu-lhe: Non possumus….”

Fonte: Pe. Leonel Franca (S.J.) (1893 – 1948) Fundador e reitor da primeira Universidade Católica do Brasil (PUC-RJ)

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