Simbolismo e importância do sino para a Igreja

Eis uma substanciosa explicação das bênçãos do toque do sino feita por Mons. Jean-Joseph Gaume (1802-1879), célebre por sua ciência teológica.

 

Apresentação dos novos sinos de Notre-Dame de Paris (2013)

“Como todas as coisas grandes e belas, é à Igreja que devemos o sino.

O sino nasceu católico, por isso a Igreja o ama como a mãe ama seu filho. Ela benze o metal de que é feito. Logo que ele veio ao mundo, a Igreja o batizou e fez dele um ente sagrado.

Com razão, porque o sino é destinado a cantar tudo o que há de santo e de santificante na Terra e no Céu. Pelas orações e cerimônias que o acompanham, o batismo vai dizer-lhe a sua vocação.

A Igreja sempre considerou com muito respeito o sino, o que se constata com novo esplendor nas preces e nas cerimônias de seu batismo.

Reunidos os fiéis em torno do sino suspenso a alguns metros acima do solo, chega majestosamente o bispo em hábitos pontificais, acompanhado do clero e seguido do padrinho e da madrinha do sino.

Em nome de Deus, de quem é ministro, o bispo invoca sobre essa maravilhosa criatura a virtude do Espírito Santo, tornando-a fecunda no primeiro dia de sua criação.

Certo de ser atendido, o bispo asperge o sino com água benta, conferindo-lhe o poder e o dever de afastar de todos os lugares onde seu som repercutir, as potências inimigas do homem e de seus bens: os demônios, os redemoinhos, o raio, o granizo, os animais maléficos, as tempestades e todos os espíritos de destruição.

Vejamos sua missão positiva.

A sua voz proclamará os grandes mistérios do cristianismo, aumentará a devoção dos cristãos para cantarem novos cânticos na assembleia dos santos, e convidará os anjos a tomarem parte nos seus concertos.

O sino fará tudo isto, porque esta missão lhe é confiada em nome d’Aquele que possui todo o poder no Céu e na Terra.

Cada badalada faz retinir ao longe os dois mistérios da morte e da vida — alfa e ômega — necessários para orientar a vida do homem e consolar suas esperanças.

Não admira, pois, que o bispo, dirigindo-se ao próprio sino, o dedique a um santo ou a uma santa do Paraíso dizendo-lhe, com uma espécie de respeitosa ternura: “Em honra de São N., a paz doravante esteja contigo, caro sino”.

Como o sino deve ter um nome, cumpre que tenha também um padrinho e uma madrinha. O nome do sino é gravado abaixo da cruz em relevo, que o marca com o selo de Nosso Senhor e o consagra ao seu alto culto.

Daí vem um fato pouco notado: o amor dos verdadeiros filhos da Igreja ao sino e o ódio que lhe votam os inimigos de Deus.

Uma das mais doces alegrias de nossos pais, ao se libertarem da Revolução Francesa, foi ouvir os sinos, emudecidos durante muitos anos.

Apresentação dos novos sinos de Notre-Dame de Paris

Esse incontestável poder do sino contra os demônios do ar justifica as virtudes de que ele goza: dissipar os ventos e as nuvens, afugentar diante de si o granizo e o raio, conjurar as tempestades e os elementos desencadeados, pois que todas essas perniciosas influências da atmosfera provêm muito menos de coisas naturais do que da maldade desses espíritos maléficos.

Nossos pais, na hora do perigo, faziam ouvir pelo Pai Celeste o som dos sinos, seu primeiro grito de alarme. O Senhor não permanecia muito tempo insensível à voz de seu povo.

A corda que serve para tocar o sino, que sobe e desce sem cessar, indica o trabalho do pregador, e é também uma imagem da nossa vida”

(Mons. Gaume, L’Angelus au dix-neuvième siècle, Editions Saint-Remi, 2005).
Fonte: http://catedraismedievais.blogspot.com.br/
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“Non possumus…” e a Promessa divina da infalibilidade do Sucessor de Pedro

“…Quem não tem um conceito exato, uma percepção viva da infinita, absoluta e inefável majestade de Deus, na inviolabilidade soberana dos seus direitos, não pode entender a intransigência dogmática da Igreja Católica. A Igreja não é autora de um sistema humano, filosófico ou religioso, é depositária autêntica de uma revelação divina. Cristo ensinou-nos uma doutrina celeste: “A doutrina que eu vos ensinei é d’Aquele que me enviou.” (S. João, VII, 16; XII, 49).

Aos seus discípulos ordenou que a transmitissem a todo o gênero humano na sua integridade incorruptível. “Ensinai-lhes a observar tudo o que vos mandei”.(Mat. 25, 20). E para que a falibilidade humana não alterasse o depósito divino, prometeu-lhes a eficácia preservadora de sua assistência. “Estarei convosco até o fim dos séculos.”

A Igreja Católica tem, pois, promessa divina de imortalidade e infalibilidade. Não foi, não será nunca infiel à sublimidade da sua missão. Quando a sinagoga, alarmada com os prodígios que sancionavam o cristianismo nascente, prendeu os apóstolos e lhes impôs um silêncio criminoso, Pedro respondeu aos sinedritas um sublime non possumus. No volver dos séculos nunca desmentiu a Igreja as promessas deste seu batismo de sinceridade. Todas as vezes que o erro, armado como a força, mascarado como o sofisma ou sub dolo como a política, bateu às portas do Vaticano, pedindo ou impondo-lhe uma concessão, uma aliança, um compromisso, saiu-lhe ao encontro um ancião inerme e venerável na candura simbólica de suas vestes, e, com voz firme e olhar fito no céu, respondeu-lhe: Non possumus….”

Fonte: Pe. Leonel Franca (S.J.) (1893 – 1948) Fundador e reitor da primeira Universidade Católica do Brasil (PUC-RJ)

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“A música, a grande música, distende o espírito, suscita sentimentos profundos e convida como que naturalmente a elevar o espírito e o coração até Deus, em cada situação, feliz ou triste, da existência humana. A música pode-se tornar oração.” Bento XVI após o concerto da pianista chinesa Jin Ju em 2009

Alegrai-vos! Nasceu o vosso Salvador!

Ao ler os Sermões de São Bernardo (1091-1153), abade e doutor da Igreja. 

Impossível, não explodir o coração de alegria. Com o anúncio dos céus “Céus, escutai! Terra, ouve com atenção! Que todas as criaturas, e sobretudo o homem, sejam arrebatadas de admiração e irrompam em louvores: «Jesus Cristo, Filho de Deus, nasceu». O Verbo se fez carne.

Haverá notícia mais bela a anunciar à terra? Alguma vez se ouviu coisa parecida, alguma vez o mundo soube de alguma coisa semelhante? «Em Belém da Judeia nasce Jesus Cristo, o Filho de Deus».

Tão poucas palavras para exprimir a vinda do Verbo, a Palavra de Deus feita criança, mas que doçura nestas palavras!«Jesus Cristo, o Filho de Deus, nasce em Belém». Nascimento de uma santidade incomparável: honra do mundo inteiro, exaltação de todos os homens devido ao bem imenso que Ele lhes traz, admiração dos anjos por causa da profundidade deste mistério de uma novidade sem paralelo (cf Ef 3,10).”

Irrompe a beleza somente exprimível pela arte, pela música…

Herz und Mund und Tat und Leben “Coração e boca e ações e vida”, em alemão, é uma cantata de Bach, composta por ocasião da festa da Visitação da Virgem Maria.

Vejamos parte das falas do coral… Belíssimo.

Coração e boca e atitude e vida

1. Coro

Coração e boca e ações e vida

Devem dar testemunho de Cristo

Sem medo nem hipocrisia,

Pois ele é Deus e Salvador.

2. Recitativo (tenor)

Bendita boca!

Maria dá a conhecer o íntimo de sua alma

Com gratidão e louvores;

Ela desata a falar, espontaneamente,

Das maravilhas que o Senhor operara

Por meio dela, sua serva.

Ó raça humana,

Escrava de Satanás e dos pecados,

Tu és livre — através da manifestação viva de Cristo…

Bem-aventurado sou, porque tenho Jesus.

Oh, quão firmemente eu o seguro,

Para que traga refrigério ao meu coração,

quando estou triste e abatido.

Eu tenho Jesus, que me ama

e a si mesmo se entregou por mim.

Ah! Por isso não o deixarei,

Mesmo que meu coração se quebre.

7. Ária (tenor)

Ajuda-me, Senhor, ajuda-me a reconhecer-te

No bem e no mal, na alegria e no sofrimento,

E que eu possa chamar-te Salvador

Com fé e serenidade;

Que meu coração arda sempre de amor por ti…

Jesus continua sendo minha alegria,

o conforto e a seiva do meu coração

Jesus refreia a minha tristeza,

Ele é a força da minha vida

É o deleite e o sol dos meus olhos,

O tesouro e a grande felicidade da minha alma,

Por isso, eu não deixarei ir Jesus

do meu coração e da minha presença.

Marcelo Melo Barroso – Comunidade Totus Mariae

 

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Nós, Sinos da Igreja ou Eis o que devemos anunciar…

Sino_Kosnichev

O anúncio da Boa Nova,  a comunicação da Vida plena em Cristo. Ele que nos libertou. E libertou de que? Ao longo dos séculos essa questão intrigou e atraiu homens e mulheres. 

E o que tanto atraiu? O anúncio inicial da Igreja, o kerygma, com a força de um sino ao ressoar. Atraindo a todos para a Igreja de Cristo. Ele mesmo, o  “Cristo que morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação” (Rm 4, 25, 1 Cor 15,1-3 ).

O ressoar desse Sino ecoa até os dias de hoje. Amplificado inicialmente com o nascimento dos quatro evangelhos, expandindo até a configuração do canon; depois disso veio a tradição da Igreja, com seu ensinamento, a sua teologia, as suas instituições, as suas leis, a sua espiritualidade. O resultado final é uma imensa riqueza, uma intensa e divina melodia.

 

Nesse mundo barulhento, secularizado é preciso ouvir ainda mais as palavras de Cristo. Por onde começar? A partir do esgaçar de nossas vozes? Gritar a imensa riqueza da doutrina?  A imensa riqueza de doutrina e de instituições podem se tornar uma desvantagem se queremos apresentar-nos assim ao homem que perdeu todo o contato com a Igreja e já não sabe quem é Jesus (Raniero Cantalamessa, OFM Cap).

É necessário ajudar este homem a estabelecer uma relação com Jesus; fazer com ele, o que Pedro fez no dia de Pentecostes com as três mil pessoas presentes: falar-lhes do Jesus que nós crucificamos e que Deus ressuscitou, levá-lo ao ponto no qual também ele, tocado no coração, peça: “O que devemos fazer, irmãos?” e nós responderemos, como disse Pedro: “Arrependei-vos, recebam o batismo, se ainda não o receberam, ou confessem-se se já são batizados”. Para isto é necessário que sejamos verdadeiros Sinos da Igreja. Como o Papa Bento XVI tem nos exortado é necessário ser como Cristo. Ser conformado a esse Sino que ressoa eternamente.

Aqueles que responderão ao anúncio, a atração dos sinos da igreja se unirão, também hoje, como então, à comunidade dos crentes, escutarão o ensinamento dos apóstolos e tomarão parte na fração do pão; segundo o chamado e a resposta de cada um, poderão fazer próprio, aos poucos, todo este imenso patrimônio nascido do Kerygma. Não se aceita Jesus por causa da palavra da Igreja, mas se aceita a Igreja por causa da palavra de Jesus. Assim como, não se vai ao Sino por causa da Igreja e sim, vai-se a Igreja por causa dos Sinos. 

Marcelo Melo Barroso

Comunidade Totus Mariae

 

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