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Benditas Crises

Uma crise pode ser uma coisa boa

Sem saber o que fazer

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Algumas vezes conversam comigo a respeito de vocação. Essa imagem ilustrou tão bem a situação que se percebe nessas conversas, que entendi que precisava aproveitar a oportunidade e escrever algo a respeito:

Perdido - Confuso - Inseguro - Incerto - Perplexo - Desorientado - Aturdido

Perdido – Confuso – Inseguro – Incerto – Perplexo – Desorientado – Aturdido

Parece ser esse o leque de opções que a pessoa tem, quando diz não saber o que fazer quanto à vocação. Para quem está olhando de fora, a resposta geralmente é simples e clara:

O que você percebe com relação a essa decisão, nas suas orações e reflexões? Em que direção Deus o tem conduzido?

Se a pessoa ainda nem pensou muito profundamente no assunto, é o momento de ter “aqueeeele” período de oração pessoal, bem caprichado, conversando com Deus, lendo livros de espiritualidade, da vida dos santos que mais admira. Também é o momento de conhecer mais a respeito da Igreja, expôr as dúvidas, buscar respostas. É a hora de se conhecer um pouco mais, com sinceridade, avaliando seus pontos fracos, identificando seus talentos, suas necessidades e anseios, vendo sua história de vida e reconhecendo os momentos em que Deus Se fez mais nitidamente presente com Sua misericórdia, incomodando-o com alguma situação, acendendo desejos santos e inspirando ações.

Se a pessoa já rezou, fez algumas experiências vocacionais, percebeu indícios em alguma direção, e ainda está indecisa, pode ser que ainda precise de mais orientação. Na dúvida, é melhor não decidir nada.

Mas, mesmo em dúvida, deve-se buscar sempre a sinceridade:

“Não saber decidir” é diferente de “não querer decidir”.

O vírus do “não querer decidir” está muito disseminado nos dias de hoje. Ele está relacionado à síndrome do não comprometimento. Se eu não decido, não me comprometo com nada e continuo “livre”, sem responsabilidade.

Ah, sim, é preciso ser muito sincero consigo mesmo ao avaliar esta situação de dúvida… As “placas” que Deus foi colocando em nosso caminho são bem visíveis, por isso há pelo menos uma dica importante para quem já fez um caminho e ainda não se decidiu:

Faça memória de suas experiências com Deus!

Mas com sinceridade! Deixe-se amar por Deus!

Encerro com trechos de um belo texto sobre a libertação que nos traz a verdade:

 Quantas vezes em nossa vida nos deparamos com atitudes medrosas, de falsa prudência, que acabam nos impedindo qualquer esforço de engajamento ou compromisso para com os outros. Esta covardia pode ser alimentada por uma falsa humildade, identificada às vezes com atitudes passivas, de resignação, de indiferença ou de medo de assumir um compromisso verdadeiro. Mas […] humildade é verdade, verdade dita e não calada, é coragem. Se às vezes temos a impressão que nos falta coragem, somos convidados a fazer um profundo exame de consciência, para ver até que ponto amamos a verdade em nossa vida. […]

É o amor à verdade que nos liberta do medo, que tanto aflige cada um de nós. É incontestável que todos nós carregamos em nossa vida uma porção de medos: o medo de nós mesmos, que não nos permite aceitarmo-nos como somos, com o nosso passado e a nossa história; o medo daquilo que os outros podem pensar de nós, que nos impede de ser autênticos e nos pressiona a ser ou a nos comportarmos conforme aquilo que os outros querem e a sociedade impõe; o medo ainda de enfrentar um mundo cada vez mais complicado e terrível pelos seus graves problemas, que nos faz recuar e refugiar nas paredes de nossa casa ou fechar-nos nos nossos pequenos interesses.

Por causa destes e de outros medos, acabamos por dar espaço em nossa vida à mentira. Fingimos de não ver os nossos defeitos, não aceitamos e nem reconhecemos os nossos limites e nossas fraquezas. Diante dos outros bancamos o que não somos, usamos da mentira para salvaguardar a nossa imagem e diante do mundo em que vivemos, temos sempre prontas desculpas ou racionalizações com as quais queremos justificar os nossos medos. […]

“Não nos iludamos” – nos dizia Dom Raymundo Damasceno, bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da CNBB na homilia de abertura da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos – “a verdade é Ele, Jesus Cristo, e conhecê-la significa assumir o projeto de tornar o Reino visível até os confins da terra. Numa palavra, vivendo e anunciando o Evangelho, mergulhamos na verdade que é Ele. Nele se manifestou em plenitude a verdade de Deus. Ele é a verdade em plenitude”.

(excertos da palestra de Pe. João Pedro Cornado: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida, Aquele que é, que era e que vem – I Congresso Internacional do Movimento Carismático de Assis, em Santa Maria degli Angeli)

E então, o que você achou?

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