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Benditas Crises

Uma crise pode ser uma coisa boa

Ser feliz e/ou ser salvo?

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oracaoEste tema é parecido com o post A respeito de Liberdade e Paraíso. Afinal, é possível ser feliz no mundo e ser salvo? – isto é, ter o gostinho da felicidade eterna já este mundo?

Sim, claro que sim. Fomos feitos para a felicidade. O problema é que geralmente nos esquecemos do pecado original, que é uma coisinha que nos faz tender a perder o objetivo das situações muito rapidamente. Por exemplo: aceitamos uma proposta de emprego com um salário melhor, para ter mais qualidade de vida. Mas, infelizmente, logo o dinheiro não é mais visto como um meio para nosso sustento: passamos a viver para conseguir dinheiro!

Da mesma forma, muitas escolhas que fazemos têm como objetivo nossa felicidade imediata, porém acabam trazendo problemas de diversas ordens. A pior das situações é fazer aquela escolha que nos tira do caminho que Deus nos prepara em direção à salvação.

Essas escolhas não são fáceis. Não serão entre uma coisa boa e uma ruim: o que acabamos tendo que enfrentar é uma decisão entre coisas aparentemente boas, ou entre uma coisa agradável e uma nem tanto. Para piorar, sabemos que uma dessas coisas ou situações a escolher, e que geralmente é a que menos nos agrada, é justamente a escolha certa.

Há algum tempo, li numa história da vida de Padre Pio uma situação bem marcante. Reproduzo aqui porque vale a pena refletir sobre ela.

Pietruccio, [um jovem cego], tinha ido a San Giovanni Rotondo como um suplicante em busca da cura de sua enfermidade. Padre Pio lhe perguntou:

Você quer ter sua vista recuperada ou quer salvar sua alma?

Se é uma escolha sem alternativa – disse Pietruccio –, prefiro salvar minha alma.

– É uma escolha sem alternativa – replicou Padre Pio.

E foi uma dura e amarga resposta para um homem jovem e forte.

Mas Padre Pio não encerrou o caso assim. Manteve Pietruccio a seu lado, e ele se tornou parte integrante da vida do convento e de todos aqueles que se relacionavam com ele. Pietruccio fazia pequenos trabalhos para os frades; ia buscar as correspondências; fazia o possível para ser útil. E tinha sido dado a ele um lugar de grande honra todas as manhãs: Pietruccio precedia Padre Pio quando saía da sacristia para celebrar a Missa e ficava em pé,ao lado do altar, com aqueles seus olhos cegos fixos na multidão de fiéis, exceto quando se ajoelhava no momento da Consagração. […]

Anos mais tarde, uniu-se a Pietruccio um outro cego muito mais jovem do que ele. […] Com o tempo, ele passou a compartilhar o lugar de honra ao lado do altar, durante a missa de Padre Pio. Representavam, talvez, um convite a todos os fiéis presentes naquela Missa a meditar sobre os sofrimentos dos outros e não apenas sobre seus próprios. E ilustravam o fato de que, às vezes, deveríamos aceitar com resignação certas cruzes, em vez de clamar por uma libertação que, na nossa cegueira, recusamos ver que nos seria danosa.

(Fonte: Padre Pio, Histórias e Memórias
John McCaffery – Edições Loyola)

E então, o que você achou?

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